quinta-feira, 24 de junho de 2010

Amor conjugal

O grande rei dos persas, Ciro, durante uma de suas campanhas
guerreiras, dominou o exército da Líbia e aprisionou um príncipe.

Levado à presença do conquistador ajoelhou-se perante ele o

príncipe, e assim também os seus filhos e sua esposa. Os soldados
vencedores, os generais da batalha, ministros e toda uma corte se
juntou para tomar conhecimento da sentença real.

O rei persa coçou o queixo, olhou longamente para aquela família à

sua frente, à espera de sua decisão e perguntou ao nobre pai de
família:

Se eu te disser que te concederei a liberdade, o que poderias me

oferecer em troca?

Rapidamente respondeu o prisioneiro:


Metade do meu reino.


Ciro continuou, paciente, a interrogar:


E se eu te oferecer a liberdade dos teus filhos, que me darás?


Ainda rápido, tornou a responder: A outra metade do meu reino.


Calmo, o conquistador lhe lançou a terceira pergunta:


E o que me darás, então, em troca da vida de tua esposa?


O príncipe sentiu o coração pulsar rapidamente no peito, parecendo

arrebentar a musculatura. O sangue lhe subiu ao rosto, as pernas
fraquejaram.

Reconhecia que, no anseio da liberdade dos seus, tinha oferecido

tudo, sem se recordar da companheira de tantos anos, sua esposa e
mãe dos seus filhos.

Foi só um momento mas, para todos, pareceu uma eternidade. Um

sussurro crescente tomou conta do ambiente, pois cada qual ficou a
imaginar o que faria agora o vencido.

Após aquele momento fugaz, ele tornou a erguer a cabeça e com voz

firme, clara, que ressoou em todo o salão, disse:

Alteza, entrego a mim mesmo pela liberdade de minha esposa.


O grande rei ficou surpreso com a resposta e decidiu conceder a

liberdade para toda a família.

De retorno para casa, o príncipe tomou da mão da esposa, beijou-a

com carinho e lhe perguntou se ela havia observado como era serena e
altiva a fisionomia do monarca persa.

Não, disse ela. Não observei. Durante todo o tempo os meus olhos

ficaram fixos naquele que estava disposto a dar a sua própria vida
pela minha liberdade.

* * *


Para quem ama, não há limites na doação. Quando dois seres se

amam verdadeiramente dão origem a outras vidas e as alimentam,
enquanto eles mesmos um ao outro sustentam, na jornada dos dissabores
e das lutas.

O amor conjugal é, dentre as formas de amor, um dos exercícios do

amor que requer respeito, paciência e dedicação. Solidifica-se
através dos anos. E tanto mais se aprofunda quanto mais intensas se
fazem as lutas e as conquistas de vitórias.

Para os que se amam profundamente não há lutas impossíveis, não

existem batalhas que não possam ser vencidas.

* * *


Em todos os departamentos do Universo existe a mensagem do amor, que

é o estágio mais elevado do sentimento.

O homem somente atinge a plenitude quando ama. Enquanto procura ser

amado, sofre infância emocional.

Por isso, o importante é amar, mesmo que não se receba a recíproca

do ser amado. O que é essencial é amar, sem solicitação.

Redação do Momento Espírita com base no conto

 Olhando só para ele, do livro Lendas do Céu e da Terra,
 de Malba Tahan, ed. Record e pensamentos finais do

cap. 2 do livro Convites da vida, pelo Espírito


Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.


Em 11.06.2010.

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